segunda-feira, julho 30, 2007

Crescer

No Sábado teve a sua primeira festinha sem pais.
Andou a semana toda a dizer que ia à festa de anos da prima Joana e que ia sozinha. Que a mãe e o pai ficavam em casa. Estava mentalizada, nós é que nem por isso.
Até tive direito a meio sermão da vóvó Lola, que nem penses deixá-la sozinha, que é muito pequena, coitadinha não se sabe defender. Ok, mamã.
No Sábado sabia que era dia de festa e perguntou se já ia para lá. Que era só no fim de comer a sopa e comeu-a toda, sem um ai, como se mais nada houvesse. Melhor assim, venham mais festas.
De tarde, apesar do soninho do costume, ficou sem ele. A festinha começava às 15h30, não dava tempo. Para acordá-la e ficar mal disposta, arrisquei uma birra nocturna. Que até nem houve. Porque será que nós, pais, temos queda para o dramatismo? Valha-me Deus...
Às 15h30 rumamos via Joana's Party. Já lá andavam algumas crianças, todas elas mais velhas que a Inês, que ela era a mais pequenita.
Todos correram para ela e ela quase se fundia em mim. Não conseguia saber onde ela começava e eu acabava. Começou muito devagar sempre a agarrar a minha mão. Entramos, a música alta, as crianças a dançar, a correr, a brincar. Foi com uma das meninas escrever, paixão do momento. Lá ficou. Eu estive lá com ela uns minutos e depois saí. Estive uns 15 minutos mas já não quis saber de mim.
Ao final da tarde fomos buscá-la. Pelos vistos, ao ver alguns dos carros dos outros meninos perguntava sempre se já era a mamã. Quando nos viu só disse, agora é a mamã...
Esteve bem, apesar de ter perguntado por mim 3 ou 4 vezes. Teve que andar sempre atrás de ou um adulto ou uma das crianças mais velhas. Lambusou-se, comeu algumas porcarias, festa é festa.
Esteve bem.
Está a crescer a minha menina.
À noite deitou-se na cama e adormeceu.

quinta-feira, julho 26, 2007

Recordações

Lembro-me dos tempos que passávamos juntas. Apesar de ser pouco e passar a correr temos boas recordações. Partilhamos bons momentos e mais tarde alguns sentimentos e segredos.
Quando tu começaste a fumar e me mandavas comprar tabaco... quando o David ia comigo também e geralmente acabava em porrada porque ambos queríamos levar o maço.
E daquela louca vez que os nossos pais foram ao cinema e eu fiquei entregue a vós, doidos, mais velhos que eu 7 anos, e resolveram fazer xixi para uma garrafa (??) e no fim mandaram-me a mim, a catraia do grupo e mais atiradiça, lançar aquilo pela janela? Feio, muito feio... Quando aquele casal tocou à campainha os nossos corações gelaram com o medo. Nunca ninguém soube o conteúdo daquela garrafa.
Quando, anos mais tarde, nos fechávamos na casa de banho a trocar confidências e a fumar uns cigarritos.
E ontem gostei daquele abraço. Apesar de cheirar a despedida, foi um momento de partilha onde, nada dizendo nos passou tudo pela cabeça.
Mas fiquei triste porque sei que os nossos filhos nunca vão poder partilhar momentos como estes. Porque adorei vê-los brincar, porque tens uns filhos fantásticos, do mais pirata que há, e o que eu me ri com o mais pequeno.
Desejo-te tudo de bom. Que continues feliz como pude comprovar ontem. Que voltes cá no próximo ano.
Um beijo grande.
Da tua prima "cúmplice"

segunda-feira, julho 23, 2007

Maus momentos

Penso que todos os pais têm alturas más. Muito más. Daquelas que se sentem miseráveis, os piores do mundo.
Nós tivemos um desses momentos neste fim de semana. Porque a célebre frase "Os terríveis 2" está a ser vivida neste momento. Mas veio assim tempestivamente e não estávamos à espera. Também relacionamos este mau momento ao largar a chupeta, mas voltar atrás é proibido. Depois de tudo que ela passou e que nós passamos, retroceder seria muito mau. Vamos mantendo até aguentar.
Nem consigo, nem sei por onde começar. Só sei que ela estava sentada à mesa para almoçar, ou jantar, e estava toda bem disposta a pedir papa. Mas de um momento para o outro começou a chorar, a dizer que não queria mais (quando ainda nem tinha começado), a empurrar a minha mão, o prato, a virar a cara. Quando lhe conseguia meter algo na boca deitava fora. Ao início não insistimos e tentamos que ela acalmasse.
Só queria o meu colo, não me deixava fazer nada, andava a chorar atrás de mim, se eu lhe fugia do campo de visão desatava num pranto...
Acalmou sentada no meu colo. Nova tentativa para almoçar. Recomeçou.
Parou-me o relógio. Quando me empurrou o braço depois de lhe ter dito umas 4 vezes que não o fizesse, dei-lhe uma palmada na mão. Fiquei cega. Chorou ainda mais.
Levei-a para o quarto dela. Saí. Ouvia-a chorar mas não podia ir lá. Uns minutos depois apareceu, descalça, com uma cara tão linda, apenas umas lagrimitas.
Perguntou-me se eu estava triste. E pediu-me um abraço e um beijinho.

quinta-feira, julho 19, 2007

Ainda da chupeta

O "desmame" está a correr lindamente. Nada a apontar.
Nos primeiros dias ainda foi perguntando pela pupa, onde estava, mas eu quero, mas agora já não o faz. Lembra-se dela quando vê peixinhos, ou praia, ou mar. Pergunta logo onde é que ela está, mas eu digo-çhe que o peixinho está debaixo da água e ela volta a esquecer o assunto.
Mas o pior é adormecer. Ai meu Deus o que eu passo para que ela adormeça.
Exige uma história. É ela que a escolhe, mas isso já era hábito nosso. Quando a história está a acabar, não, minto, quando a história acaba, desata num pranto que só visto. É que chora mesmo com vontade. Eu agora já sei e antes que ela comece eu digo-lhe que a história já está quase a acabar mas que não faz mal que eu volto a contar no dia seguinte. Chora na mesma. Mas menos um bocadinho. Mas depois daquela pede outra, e uma música e depois quer o papá, e quer um beijinho, e quer aquele boneco, mas afinal também quer o outro... um teste à nossa paciência, só pode.
Ontem só demorou 1 hora para adormecer. Eu já me estava a passar e tive que lhe dar um berro. Depois arrependo-me mas a culpa é dela.
Eu já estava quase a dormir, mesmo. Os olhos já estavam meios fechados, um apenas a espreitá-la. Ora virava para um lado, ora virava para outro, levantava a cabeça, olhava para a porta, pegava no livro, abria-o, chamava-me muito baixinho e eu nada, mais alto um bocadinho e eu nada, pousava-o, erguia os pés, dava-me miminhos, virava-se para outro lado, fazia cócegas à grade... e isto umas 25.367 vezes. Já era muito tarde, não dava para continuar naquilo. Dei-lhe um berro. Chorou. Adormeceu passado 10 minutos.
Era preciso isso pá?

terça-feira, julho 17, 2007

Nomes

Quando estamos nos momentos melosos gosto de lhe chamar outros nomes. Claro que ele diz sempre que é Inêêês. Assim arrastado para não haver dúvidas.
Para além de piolhinho, chamo-a de:

  • Pipoca / pipoquinha
  • Flor
  • Princesa
  • Pirolito
  • Tolita
Sempre antecedidos de um meu/minha e quase sempre terminados em inho/inha.

quinta-feira, julho 12, 2007

Saídas

Hoje o pai almoçou connosco. Isto só costuma acontecer nos dias de folga dele, em que não tem que sair e costumam ficar os dois por casa.
Mas hoje ele tinha que trabalhar da parte da tarde.
Ela saiu, depois de uma sessão gigantesca de beijos e abraços dela e nós ficamos a brincar.
A fazer de animais. Ela era o macaco e eu o leão.
De repente parou e perguntou-me onde estava o pai. Eu disse-lhe que tinha ido trabalhar.
Ela vira-se para mim e diz-me:
- É pena!

Pergunta do momento

- Qui fói?
Se me estou a rir ....
Se estou triste...
Se falo mais alto... (ok, berro)
Se digo uma asneira...
Se a chamo...
...
e por aí adiante.

Desfralde (ainda...)

Já há algum tempo atrás falei que tinha tentado tirar as fraldas à Inês. Talvez mais por insistência da minha mãe, que sabe tudo.
Tentamos fazê-lo com algum êxito com aqui comentei. Ela já pedia e acho que começava a ganhar gosto. Mas entretanto veio novamente a chuva e o frio e as saias deram lugar às calças e o pote pouco era utilizado. Estava frio para ficar com a pernoca à mostra.
Está mal, muito mal.
Agora, com a chegada do calor, tentamos novamente levá-la ao potinho. Mas agora, ela não quer. Mal falamos em pote, ela diz logo que não quer fazer chichi nem cócó. Às vezes é um cheirete, mas tem sempre a fralda limpa. Nunca a quer mudar.
Li algures que é contra producente forçar.
Mas como é que explicamos isso às avós (neste caso é apenas uma)? Porque já é tempo de ela deixar, porque ela já fala tão bem, porque, porque...
As vontades das pequenas criaturas ficam sempre para segundo plano. Deixá-la estar. Ela há-de pedir. A seu tempo ela o fará.
Mas enervo-me quando a minha mãe quer pegar nas rédeas. É a mim que cabe fazê-lo. Ainda hoje ao almoço, e perante o que aconteceu só posso deduzir que ela o faz nas minhas costas, a Inês estava a ver um DVD do Noddy. A sopa estava pronta e a minha mãe chamou-nos. E perguntou-me logo a seguir se por acaso eu não queria dar-lhe a sopa em frente à televisão. Eu disse que não mas a Inês disse que sim. Na nossa casa não há televisão na cozinha. Expliquei-lhe que a sala é para brincar e para ver os bonecos e que a cozinha é para comer. Ela aceitou bem e pediu para acabar de ver aquele episódio. Mas a minha mãe achou que ela comia melhor na sala. Mas eu achei que não!
Estes pequenos episódios deixam-me triste. Porque eu até sei que ela está muito bem, que tem toda a atenção do mundo e todo o carinho, mas as opiniões são distintas das nossas. E há choque de ideias. Porque o que nós fazemos/achamos normalmente está mal.

quarta-feira, julho 11, 2007

Soltas

O largar a chupeta está a ser um sucesso. Ontem já não a pediu e tem dormido muito bem. Até reparo que durante a noite dorme melhor. Por vezes acordava porque a perdia e não a encontrava e chamava-me, agora não tem acordado.
A minha mãe acha que ela ainda é muito pequenina e que com a pupa as crianças ficam mais calmas... a decisão foi tomada e não há volta a dar-lhe. Mania que as mães têm de se meter.
Na segunda-feira, depois do banho, o pai teve que sair. Eu tinha umas roupitas para passar e disse-lhe para ela me vir fazer companhia.
Lá andava na brincadeira mas depois ouviu uma música na televisão e foi espreitar. Como estava a demorar chamei-a. Respondeu "oi". Perguntei o que estava a fazer. Disse-me que estava a chegar creme... esqueci-me dele no sofá e ela, tumba, toca a untar-se toda.
As nossas viagens de carro têm sido alucinantes. Até agora sempre que via um carro perguntava a cor dele. Acerta nos vermelhos e nos amarelos. Os restantes são todos azuis.
A pergunta do dia é "de quem é esta casa?". Pois... as cores eu até sei, agora as casas. São de um senhor, ou de uma senhora.

terça-feira, julho 10, 2007

segunda-feira, julho 09, 2007

7-7-7

No Sábado tivemos um casamento. Foi uma festa muito bonita e os noivos estavam muito felizes. Apesar do vento que se fazia sentir, a temperatura estava amena, pedindo um casaquito ao final do dia. Gostamos muito e a Inês, juntamente com a recém casada, foi a princesa da festa.
Resolvemos ficar a dormir por lá e aproveitamos o Domingo para ir até à praia. Até porque tínhamos feito um acordo que era deitar a chupeta aos peixinhos quando lá fossemos. A ideia tinha sido nossa, mas a vontade foi dela.
Estava muito frio para ficar lá estendidos mas lá fomos. Falamos com ela e dissemos-lhe que se ela atirasse a chupeta, os peixinhos ficavam com ela e que nunca mais a via. Não faz mal e bora lá com isto que eu quero é curtir a praia. Em cueca de bikini e casaco toda contente pega na pupa e atira-a ao mar. E disse logo xau e adeus e pouco ligou ao caso.
Ainda ficamos por lá um bocadito, ela a brincar na água, perguntava se os peixes já tinham a chupeta, mudava o assunto e queria brincar.
Ao voltarmos, já no carro e com muito sono, pediu-a. Primeiro não havia suplente e segundo não era dia nem hora para retroceder. Se chorar não lhe faz mal nenhum. Chorou. Um choro de mimo, nada que não se aguentasse. Apenas exigiu a minha presença ao lado dela. Eu fui. Adormeceu quase instantaneamente.
À noite, já em casa pronta a dormir, voltou a pedi-la. Só lhe disse que ela a tinha dado aos peixinhos e que agora era um muito pequenino que a tinha e que estava muito contente. Não voltou a perguntar mas tentou atrasar o sono. Ora com perguntas sem nexo, ora a pedir o pai, ora a pedir outra história.
Adormeceu.
Dormiu toda a noite.
Hoje para dormir, chupava a língua.

quarta-feira, julho 04, 2007

Conversas com ela...

Ontem ao final do dia estava eu no sofá em relax a ver televisão.
Estava a dar uma série qualquer e eu estava atenta.
A catraia andava a asneirar mas sempre ali pertinho de mim.
Aproximou-se e perguntou-me:
- Mamã tás tiste?
Não amor. (e antes que eu pudesse falar mais, ela:)
- Então tás contente?