quarta-feira, abril 23, 2008

Do Parto - O DIA

Faz hoje uma semana que te juntaste a nós. Dia 16 de Abril pelas 15H15.

Mas na realidade a tua chegada começou um dia antes, dia 15.
Já tinha combinado com o meu médico uma ida à urgência onde ele estava de serviço. Era apenas para avaliar a minha situação. Estava ansiosa e na verdade pensei que era naquele dia. Tínhamos tudo programado para que assim fosse. Na noite anterior já nos tínhamos despedido da Inês, falado com ela sobre a eventualidade de eu ficar no hospital. Eu já tinha chorado as saudades que ia ter.
Chegados ao hospital, sou examinada e tudo ainda muito atrasado. Para hoje nem pensar. Vá, salte, ande e volte no Sábado.
Com a desilusão estampada nos rostos lá viemos. Limitamo-nos a pensar que era melhor assim. Ele ia sair quando estivesse preparado.
Demos uma volta, compramos umas coisitas e viemos para casa.
Nessa tarde comecei a sentir umas contracções não dolorosas e bastante espaçadas. Como pessoa relaxada que sou, deixei andar. Afinal não custavam assim tanto.
Ao deitar continuava-as a sentir mas agora acompanhadas com um pouco de dor. Mas naquele momento queria era dormir. Ou namorar... E assim fiz(emos) (esta parte tem que ficar registada pois vai ficar na história).

Ao levantar... ao levantar isso sim já quase não me podia mexer quando elas vinham.
Apesar de ser o meu segundo filho, posso dizer que nunca tinho sentido aquelas dores. Da Inês não senti nunca contracções. Nem sabia o que eram.
E continuei relaxada apesar de me custar bastante o momento de elas aparecerem.
Fiz as camas, dei um jeito à casa, comecei a preparar o almoço. Mandei uma mensagem à minha mãe a dizer para aparecer em casa, mas não mencionei nada. Quando ela chegou assustou-se um bocado com o meu estado. Nessa hora elas já vinham de 5 em 5 minutos. Liguei ao Jorge para vir para casa que não me estava a sentir muito bem. Já tinha tentado falar com o meu médico mas o telemóvel estava desligado.
Aproveitei para tomar um banho e vesti-me. Entretanto o Jorge chegou e seguimos para o hospital. Agora surge a dúvida: o meu hospital é o de Guimarães mas o meu médico sempre me disse para ir para o de Braga. Mas ele não estava de serviço e não atendendo o telefone não me ia adiantar de nada. Siga para Guimarães que é mais perto. Cheguei lá e na triagem mandaram-me para o piso da maternidade. Ao dirigir-me para a porta toca o meu telemóvel. Era o meu médico. Disse-lhe o que se estava a passar e ele aconselhou-me ir para Braga. Mas se já estão de 5 em 5 minutos talvez seja melhor ficar em Guimarães... mas não! Venha imediatamente para Braga.

E assim fizemos. A viagem deve ter durado uns 15 minutos, não sei bem, mas torci-me toda com dores umas 3 vezes. O Jorge nem dizia nada.
Fui a pé para o hospital e não demoraram mais que 5 minutos a atenderem-me.
7 dedos de dilatação (???), quase pronta para ter o seu filho. Despi-me e dirigi-me para a sala de partos já com a bata, deitei-me e deixaram-me lá sozinha não sei por quanto tempo. A mim pareceu-me uma eternidade. As dores vinham com muita mais intensidade e muito menos espaçadas. Eu olhava para a porta, tentava mexer-me, virava-me para um lado, para o outro, a dor desaparecia e eu relaxava. Isto sistematicamente, umas 5 ou 10 vezes, nem sei.
Entra o Jorge e os enfermeiros e eu peço a epidural. Dilatação completa, é um erro, não queira. Mas quero e mais vale uma mãe relaxada do que uma stressada a pensar na anestesia. Vem a médica e eu preparo-me para a receber. Tenho que estar sentada e quieta. E isso é possível? É pois.
Para dizer a verdade não sei se levei ou não epidural. Sei que fui picada, isso senti, mas não me lembro daquele frio que senti da Inês e as dores continuavam. E a conversa delas... pôs-me a duvidar.
"A Srª. enfermeira fez um trabalho exemplar. Não, a Srª. doutora é que fez um óptimo trabalho. Nada disso. Quem se portou bem foi a mãe. Até já está com melhor cara. (e eu a queixar-me com dores). Mas elas já vão passar, vai ver. A mãe é que se porta bem. Até já foi levada e tudo (???)".

Rebentam-me as águas e dizem-me que estou pronta. Perguntam se quero o meu marido ali, e o que eu sempre pensei e sempre disse desvanece-se naquele momento. Sim quero-o ao meu lado. Ele responde a mesma coisa a uma enfermeira e entra. Eu ali deitada, ele ao meu lado, todos à minha volta.
Até que me dizem para fazer força, mas as dores que eu sentia nem me deixavam pensar. O Jorge dava-me beijos e eu fiz. E senti-lo a descer, e senti-lo ali, é qualquer coisa de indescritível, uma sensação tão, tão... neste momento faltam-me palavras.
Deixaram-no assim por uns momentos, eu a sofrer, a dizer que não aguentava, senti-lo ali e não poder fazer nada, até que me mandaram fazer força novamente e eu puxei, não sei onde fui buscar aquela vontade e ele saiu.
E eu não vi mais nada, só o meu pequenino. Sim, realmente pequenino, com apenas 2.100 Kgs. Mas perfeito e com saúde, o peso foi apenas um problema da minha placenta que deixou de o alimentar. Por isso decidiu sair.
São quinze horas e quinze minutos. Não houve episiotomia, nem pontos. Que bom!
Depois de o pesarem e medirem trazem-mo para mamar. E o pobre vinha esfomeado. Agarrou-se sôfrego à maminha e nós, pais babados, a deleitar-nos com ele ali, tão nosso.
Só me lembro de sentir uma paz, uma alegria, um amor a crescer cada vez mais.

Se considerar a dor como factor principal, este parto foi muito mais difícil que o da Inês. Mas foi mais real, vivido muito mais intensamente porque o senti a sair de mim, e isso não tem preço. E a presença do Jorge, que me abaraçou e beijou e me deu força, isto também não tem preço.

6 comentários:

Nostálgica disse...

Ainda bem que correu tudo bem.:)
Um beijinho grande.

Monica disse...

Que maravilha minha querida!
Beijocas grandes!

Ana Ataide disse...

Olá
é a primeira vez que leio o seu blog . O seu parto foi parecido ao meu (quer dizer tirando as dores) e o peso do pequeno tb a minha Maria nasceu com 2310 e tb por culpa da placenta.
Muitos parabéns.
Ana

. disse...

Que emocionante amiga. Já sabias desse problema da placenta ou soubeste na hora? O que importa é que ele está convosco e crescerá bem e rápido. Parabéns. Um beijo. Luz

sorrisos da minha alma disse...

Que sufoco!
Ainda bem que esta tudo bem com ele, eles cá fora tem tempo de crescer.
Bjs.

Grilinha disse...

Linda história....
Adorei esse parto ! Andamos muito mimadas querendo partos sem dor, mas partos são mesmo assim...

Um beijo querida.