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sexta-feira, maio 08, 2009

A modos que é assim

Tentamos, no dia a seguir ao aniversário, que afinal só teve os 4 anos no dia 30 (...), deixá-la sozinha. Eu tentei.
Fui deitá-la e contei-lhe uma das história que recebeu de presente. No fim pediu para eu ficar um bocadinho. Fiquei uns minutos, disse-lhe que só ia ali um bocadinho e que voltava já. Voltei e lá continuava o olhão aberto. Voltei a falar-lhe, a dar-lhe uns miminhos e saí. Aqui já começou a choramingar e a pedir que eu ficasse. Voltei mas já não tão meiga. Pediu o pai, que queria dar-lhe um beijinho. O pai foi ao quarto e pediu nova história (!!!). No final pediu que ficasse mais um bocadinho e a cena repetiu-se novamente, desta vez com muito choro. Acabou por ficar lá sentado a dar-lhe a mão. Mas adormeceu sem nos ter deitados ali ao lado.
No dia seguinte, como já sabia para o que ia, começou logo a choramingar. Que não queria, que queria ir com o pai, que ele tinha que ficar ali sentadinho. Foi-se passando sempre desta forma até chegar ao limite, que foi na quarta-feira. Esteve a chorar 1 hora. Já com soluços e tudo. Que tinha que ter o pai ali deitado. No final, já fartinhos de a ouvir e antes lhe dar uma lapada que era a nossa vontade, dissemos que se lixe o negócio. Deitou-se aos pés dela e adormeceram.
Mas, ontem, o pai tinha uma saída à noite. E eu ficava com os dois. Drama, pensei eu. Ter que os adormecer. O puto adormeceu na mama. Chegou a hora dela e eu lá fui.
Contei-lhe a história, fiquei um bocadinho e disse que ia espreitar o mano. Voltei lá, novo beijinho e só vou ali levar umas roupitas. Não voltei.
Estava eu na cozinha quando ouvi os passos dela. Foi à casa de banho. Peguei-lhe ao colo e fui deitá-la. Mais beijinhos e mamã, dá-me a tua mãozinha só um bocadinho. Dei. O puto chorou... Disse-lhe novamente que ia ver o mano. Entre pegar nele ao colo e voltar a deitá-lo, ouvi-a ressonar.
Caramba.
Hoje voltas a sair, ouviste pá??

segunda-feira, abril 23, 2007

Adormecer

Adormeceu.
Saio devagar do quarto dela.
Estamos sozinhas. Apenas eu e ela.
Estou a chegar à sala e a preparar-me para me sentar e ouço: mamã.
Não pode ser. Estava a dormir tão consolada.
Mamã, onde estás?
Vou novamente ao quarto dela e está sentada na cama a olhar para a porta. Quando me vê, pergunta:
Mamã, onde foste?
Volto a deitar-me com ela até ela adormecer novamente.

Tenho a noção de que é um mau hábito ela adormecer apenas comigo.
Quer dizer, sempre acompanhada. Nunca sozinha. Mas fazer o quê? Deixá-la a chorar? A culpa não é dela. Fomos nós, mais eu mea culpa, que deixamos isto avançar. Agora falta-nos coragem. Mas sabemos que mais tarde ou mais cedo teremos que fazê-lo e quanto mais tarde pior. Mais ela sofre e isso não interessa nada.

quinta-feira, abril 19, 2007

De noite

Dou-lhe todas as noites biberão antes de a deitar.
Ela gosta de se sentar no meu colo, que eu segure o biberão enquanto ela me vai fazendo miminhos na cara.
Quando não quer mais, afasta-o e diz que acabou e que bebeu todo.
Dou-lhe beijinhos na bochecha e no pescoço.
Salta do meu colo e passeia-se um bocado. Volta e pede cama. E a chupeta, claro.
Levo-a ao colo para o quarto, deito-a na cama e ela estica-se toda, vira-se e volta-se a virar. Pede para eu me deitar ao lado dela. Eu faço-o.
Deixo-me estar ali, conto-lhe uma história ou canto-lhe uma música. É ela que escolhe.
Quando adormece dou-lhe um beijo e vou para a minha cama.
E é um dos meus momentos do dia.
Eu deitar-me com muito sono, esticar-me e sentir os lençóis frios mas ter a certeza do quente de me saber acompanhada.

segunda-feira, março 12, 2007

Chupeta

Ontem à noite estávamos os 3 a brincar no sofá.
Ela ia atirando a chupeta ao pai, pegava novamante nela para a voltar a atirar.
O pai perguntou se era para deitar fora. Ela disse que sim. Ele fez de conta qua a deitou. Ela não ligou nenhuma. Eu guardei-a no meu bolso e sabia que ela ma ia pedir na hora de deitar.
Chegou a hora da caminha e fomos as 2. Quer dizer, as 2 e o "pretinho". Lá nos deitámos, uma mãozita em cima de mim e a outra a abraçar o boneco. Ali fiquei uns minutos e nada de chupeta. Nem sequer perguntou e adormeceu. Sem birras, sem choros, lentamente.
Durante a noite ouvi-a chamar por mim. Chamou apenas uma vez. Não costumo ir logo. Dou-lhe tempo. Não voltou a chamar.
Hoje de manhã fui ao quarto dela. Dormia profundamente. Na boquita um pendente azul, a maravilhosa chupeta que eu deixei em cima da cama e que ela pegou quando eu não apareci.
"A tropa manda desenrascar".